Como é fazer Couchsurfing

Couchsurfing (sub: -"o ato de dormir na casa de um estrangeiro desconhecido"): uma experiência tenebrosa para uns, e maravilhosa para outros. E hoje, vim contar a minha!



Para quem não conhece, Couchsurfing (clique para visitar o site) é um site onde você encontra hospedagem gratuita pela casa de desconhecidos, que disponibilizam desde um colchão na sala à um quarto privado, em troca de experiências e aprendizado cultural. Para quem não tem como hospedar, você pode oferecer um pouco do seu tempo para um viajante conhecer mais sobre a cidade em que você vive, levando-o para passeios e sendo seu guia turístico.

Quem me apresentou o site foi a Fernanda (Oi Fefa!), que usou o sistema diversas vezes durante seu mochilão pela Escandinávia, que anteriormente já havia sido apresentada ao site da mesma maneira, e assim a corrente segue.

O intuito do Couchsurfing é literalmente mergulhar de cabeça na cultura de outro país, e viver como um local. Diferente da proposta do AirBNB (que no caso, é pago), o Couchsurfing é completamente gratuito. Claro, nada te impede de limpar a cozinha do seu host, organizar alguma coisa ou fazer um jantar "típico" do seu país como retribuição da gentileza, né?

O sistema basicamente é fácil: você se cadastra no site, obtém "verificações" através de celular e outros métodos por questões de segurança, e já começa a navegar. Você pode cadastrar sua futura viagem e contar o porquê está indo pra lá e quanto tempo vai ficar, e aí, começa a procurar seus futuros-possíveis hosts. Quando você conhece alguém do Couchsurfing, o ideal é dar um feedback sobre como foi a experiência. No caso da hospedagem, dizer como foi o dia-a-dia, o tratamento, a recepção e tudo mais. Afinal, estamos lidando com pessoas de verdade e nem todas elas são boas, portanto todo cuidado é pouco.

Você pode adquirir feedbacks e reviews indo a encontros semanais e mensais que o próprio Couchsurfing promove em grandes cidades. É uma forma de ter uma qualificação positiva e enriquecer seu currículo cultural.


Mas vamos ao que interessa: Minha experiência.

Meu objetivo inicial era fazer Couchsurfing por toda a minha viagem, porém, quando decidimos que a Marisa iria comigo, tive que rever os planos, afinal, o Couchsurfing é individual (apesar de pessoas como nosso host, Aymen, aceitarem mais de um viajante) e a Marisa teria de criar um perfil e adquirir as próprias reviews dela.

Comecei a enviar mensagens de request para possíveis hosts cerca de três à dois meses antes. A Fernanda, que me apresentou o site, prefere mandar no mês anterior a viagem... No fim, vai de pessoa para pessoa. Enviei diversos requests, sendo a grande maioria para mulheres, por ter um pouco de receio, afinal, eram duas adultas viajando para a Europa pela primeira vez, sem conhecer nativos.

Tivemos algumas respostas negativas, e outros "talvez", mas nada certeiro ainda. Com a viagem se aproximando, minha ansiedade me perseguiu (prazer, Mayara) e acabei abrindo o leque para hosts masculinos também, e confesso que foi a melhor decisão que tomei: deixar os preconceitos de lado.

Três semanas antes da viagem, nosso host Aymen - web developer, tunisiano vivendo em Paris - nos ofereceu hospedagem por uma semana. E sim, ele ofereceu sem nosso request, porque também dá pra fazer isso pelo site. Conversamos um pouco, trocamos redes sociais e vi que ele aparentava ser uma pessoa de boa índole. Ele pediu para confirmarmos dias antes da viagem se iríamos mesmo, que ele faria questão de nos buscar onde estivéssemos.

O próprio Couchsurfing te dá uma documentação para ser apresentada na imigração, se for requisitado, que é a confirmação de estadia e responsabilidade do host. Porém, como nós fomos de ônibus vindo de Londres com destino à Paris (clique aqui e leia o Diário de Viagem #1), a imigração não é tão intensa, e sequer perguntaram o que eu estava indo fazer em Paris.

Ao chegarmos na cidade-luz, o Aymen já estava nos esperando em frente ao Palais de Congress. Houve um pequeno desencontro, por conta dele estar de um lado do quarteirão e nós, do outro, mas no fim deu tudo certo. Ele nos cumprimentou com o jeito típico do francês "dois beijinhos", e logo seguimos para o carro. O caminho foi de adaptação e um pouco de insegurança, confesso. Afinal, ainda éramos só duas mulheres com um estrangeiro desconhecido e, sendo brasileiras, já temos embutido o chip do medo... Mas isso é assunto para outro post.

Essa foi nossa acomodação na casa do Aymen. O colchão de casal (que reza a lenda que eu joguei a Marisa para fora todas as noites), o sofá e a sala de estar, que tinha uma porta que a mantinha privativa.

Assim que chegamos, nosso host nos deu uma cópia da chave da porta de entrada, e nos preparou com muito carinho dois cupcakes, flans (que tem a rodo em Paris), um pacotão vermelho gigante e maravilhoso de maltesers e uma garrafa de água mineral. Além, claro, de roupas de cama limpas e um aquecedor que salvou nossa primeira noite em Paris

Como estávamos muito cansadas, tomamos banho e dormimos infinitamente. Ao acordarmos, o Aymen estava trabalhando, mas havia nos deixado um bilhete explicando como chegaríamos ao metrô mais perto de forma segura, com direito a mapa e tudo. Um amor.

A casa dele era um apartamento no terceiro andar de um prédio antigo em Clamart, e descobrimos depois que ele não dirigia, só pegou o carro emprestado de um amigo para que pudéssemos chegar na casa dele em segurança.

O grande x da questão foi que, por questões pessoais do nosso host, ele não limpava a casa. Tipo, nunca. E como é hábito dos europeus (e do resto do mundo, menos no Brasil), de jogar papel higiênico usado do vaso sanitário, dá pra imaginar como era, né? A Marisa que tem TOC com limpeza quase morreu de infarto quando descobriu. Já eu, resolvi que poderíamos limpar a casa como uma forma de gentileza ao que ele estava fazendo por nós, afinal, até jantar no fim do dia ele providenciava.

Ele topou gravar vídeos conosco, e todo dia que chegávamos, ele estava preparado pra conversar e descobrir mais sobre nossa cultura, enquanto ensinava curiosidades sobre a França e a Tunísia.

Depois de alguns dias com ele, fomos convidadas pela salvadora-de-brasileiros-na-França Jéssica Dias, vulgarmente conhecida como minha colega da faculdade de arquitetura e urbanismo, para ficar o resto dos dias com ela e o namorado, Nicolas, no studio que eles tem em Robinson, também em Paris.

Foi aí que o negócio com o Aymen ficou meio estranho. Ele se sentiu ofendido por estarmos mudando de hospedagem, e ficou muito chateado. Porém, em nosso ponto de vista, era melhor estar com a Jéssica, que é minha amiga à muitos anos e se deu hiper bem com a Marisa, e que também mora em Paris. Enfim, depois de conversarmos por um tempo, ele entendeu e até nos deu uma caixinha de chocolates de presente de despedida. Mas foi na minha review do Couchsurfing que eu descobri o quão chateado ele ficou, afinal, ele só mencionou que ele foi nos buscar quando chegamos. Não mencionou os outros dias. Mas enfim, vida que segue.



Conclusão: A experiência foi fantástica. Eu pude ver que sim, ainda existem pessoas boas, ainda existem pessoas gentis e de bom coração, e a experiência com o Couchsurfing está aí para provar isso. Claro que existem casos e casos, mas no meu, eu usaria o sistema novamente com certeza, e também receberia estrangeiros com o mesmo intuito.

Dica importante: SEMPRE converse o essencial (data de chegada, endereço, horário de encontro, ponto de encontro, etc) pelo bate papo dentro do site. Caso algo de ruim aconteça, o sistema é ligado diretamente com a Polícia local e um alerta é acionado. Ou seja, isso pode te manter seguro em caso de possíveis perigos! 



E você? Já teve uma experiência assim? Me conta!

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